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Medo de ser diferente

Ser diferente não deveria ser um dos grandes problemas da humanidade, especialmente quando consideramos que somos mais de 7 bilhões de pessoas no mundo. Cada um com uma cultura, um desejo, um sonho, uma experiência e vivências únicas. Se todos pudessem compartilhar suas diversidades de forma positiva seria bem provável que o mundo estaria em outro nível. 

  

Entretanto, na realidade não é isso que ocorre e, quando acontece, ainda é muito restrito. As diferenças estão em tudo e são necessárias para o progresso da sociedade humana. 

  

Por outro lado, o ‘diferente’ é sempre visto como algo ameaçador, desestabilizador e que deve ser combatido. De uma maneira geral isso ocorre por alguns motivos, o principal deles é o medo.  

  

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O começo de tudo! 

  

Quando a pessoa é tirada da sua zona de conforto e levada a confrontar algumas mentiras ou ilusões que sempre teve como verdades ela tende a recuar, rejeitar e atacar aquela ideia. É nesse cenário que surgem algumas das piores faces do ser humano, dentre elas o preconceito, a homofobia, a intolerância religiosa, o racismo, a xenofobia e entre tantos outros que preferíamos que não existissem. 

  

Ao encararmos esses problemas vamos perceber que a raiz deles tem um ponto em comum: o medo, como citamos anteriormente. Mas medo de quê? Esse é o ‘x’ da questão, uma vez que não há razão científica e nem moral que justifiquem ações negativas de intolerância e preconceito. 

  

Apesar do fato de que atualmente há um combate maior contra aqueles que propagam o ódio e a exclusão dos que são diferentes, essa intolerância continua crescendo e grande parte da responsabilidade é da sociedade como um todo. Vejamos isso com mais atenção logo a seguir. 

 

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Razões pessoais não são verdades absolutas 

  

A sociedade e as religiões de cada época criaram seus próprios critérios para definir o que é certo e o que é errado. Isso é uma questão histórica que envolve o homem desde seus primórdios quando passou a considerar pontos morais, sociais e culturais. Quem não se enquadra perfeitamente neles é excluído e taxado como anormal, desequilibrado e é rejeitado pela maioria. 

  

Por exemplo, da mesma forma que um indígena de alguma tribo isolada consideraria um morador de São Paulo como um ser diferente, este também consideraria aquele indígena diferente. A questão é que o morador da cidade tem mais conhecimentos sobre cultura, moral e filosofia. Supomos que sendo assim, ele deveria respeitar e entender as motivações do habitante da tribo. 

  

Porém, é comum acharmos pessoas ‘esclarecidas’ que creem que suas razões pessoais são verdades absolutas. A partir daí é que a coisa começa a dar errado. 

  

Por outro lado, apesar de todos os problemas enfrentados por quem é diferente (seja pela cor da pele, religião, orientação sexual, situação física ou psicológica) com novos conhecimentos surgindo é possível perceber modificações nesse tipo de avaliação por parte da sociedade. 

  

Entretanto, ainda é muito comum acontecer de as pessoas que, de alguma forma, sentem-se diferentes, começarem a copiar os modelos e padrões instituídos para que então, possam ser aceitas e bem vistas pela maioria. Em um primeiro momento isso pode parecer certa valorização pessoal. Entretanto, não é exatamente isso que ocorre em termos pessoais. 

 

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Não é possível ser feliz sufocando quem você realmente é! 

  

Ao deixar de lado quem se é para ser aceito pela maioria, os sentimentos e razões pessoais são deixados de lado. 

  

Consequentemente, para permanecer nesse grupo a tendência é ignorar e sufocar o que de fato somos. Ninguém consegue se realizar e ter uma vida completa assim. 

  

Ser diferente é normal. Cada um é diferente do outro e nunca vamos encontrar duas pessoas que sejam exatamente iguais, tanto física como psicologicamente falando. 

  

Às vezes, o “ser diferente” é tratado de uma forma tão perniciosa que a pessoa acredita que está fazendo algo errado. O que é mais um problema. A pessoa que entra por essa via passa a consultar a todos para tomar suas próprias decisões. Aqui entram os amigos, o irmão mais velho, os pais e alternativas pouco convencionais como tarô, espíritos e gurus. 

  

Como ninguém é igual a ninguém cada um dos consultados terá sua própria visão das coisas. Com isso, a pessoa que tanto consultou os outros por medo de errar acaba ficando sem tomar nenhuma atitude, afinal, são tantas opiniões diferentes que a dúvida se torna bem maior do que se tivesse agido por conta própria. 

 

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Ser diferente não é ser inferior! 

  

Quando decidimos tomar nossas decisões de vida baseadas no que os outros vão pensar automaticamente nos classificamos como incapazes. Pura ilusão. Ser diferente, pensar diferente não nos torna inferior a ninguém. Não nos falta nada. Eu sou apenas eu e você é apenas você. Cada um com um próprio modo de realizar e sentir as coisas do mundo em que vive. 

  

O grande problema neste caso talvez seja o fato de que a pessoa não acredita em si mesma e acaba abdicando do seu poder de promover mudanças em sua vida. Em palavras mais simples, ir contra o coração nunca é uma boa ideia. 

  

Ao decidirmos não sermos verdadeiros com aquilo que somos um dos primeiros ‘sintomas’ a aparecer é a insatisfação (conosco, com o mundo, com tudo). Isso surge porque estamos vivendo apenas um papel e muito do que realizamos é pura encenação. O pior é que sabemos disso e nossa dignidade acaba sendo abalada. Estruturar uma vida assim nem sequer faz sentido. 

  

A importância de vestir a camisa do “ser diferente” reside em uma coisa muito interessante: perceba que grande parte do progresso do mundo foi realizado por pessoas que não seguiram padrões e regras, que não davam a mínima para aquilo que a sociedade dizia ser certo ou errado. Exemplos assim podem ser encontrados em qualquer época da humanidade, de Jesus Cristo a Steve Jobs!

 

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Ser diferente é o que nos torna especiais! 

  

Pode estar um pouco longe de ocorrer, mas algum dia todos entenderão que ser diferente é o natural da coisa. Todos têm qualidades que os tornam diferentes dos outros e obedecem a valores diferentes. 

  

No final das contas, o grande segredo é não se importar com o que andam dizendo. Há quem sofra por ser palestino, por ser homossexual, por ser protestante ou católico, por ser umbandista, por ser negro, por morar no interior e infinitos outros tantos ‘por ser’. 

  

Lembrem-se que quem você é somente você sabe. Algumas pessoas poderão ver como é, mas poucas conseguirão entender como é ser o que você é ou fazer o que você faz. 

Ser uma ‘pedra fundamental’ de padrões estabelecidos não costuma levar as pessoas a caminhos promissores e com grandes oportunidades no futuro. 

  

No meio disso tudo, talvez o primeiro passo seja ter mais confiança em nós mesmos, deixar de contar para outros nossos problemas e tomarmos atitudes positivas para que a vida idealizada em nossas mentes torne-se realidade. 

  

Aliás, são pessoas que agem assim que hoje são vistas como grandes precursoras de lutas contra a intolerância, o ódio e a discriminação. 

  

Não é preciso ter medo de ser diferente. É ser diferente que nos faz especiais. Na dúvida, procure por alguém que vai te entender. 

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